sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VERTIGINE HOMINUM _ a vertigem dos homens (Parte I)

 – Antes de todo movimento –
Prelúdio




Submerso pela escuridão de um grande palco cheio de nada, sendo iluminado progressivamente por um foco a pino, vemos um homem. Ele transpira, tem as roupas rasgadas, algumas manchas roxas no rosto, e sangue respingado pelo corpo – talvez seu, ou não. Seu corpo soluça, e junto com o crescer da luz, o ritmo desses soluçar. Ao longe, uma voz reclamar presença e crescer junto com a luz. Essa aurora também nos recobre e enquanto contemplamos a confusa dor desse rapaz de pé, que na verdade está caído, podemos ver que algumas dessas palavras expressas em sussurros e gritos são projetadas, surgidas, se escrevendo no ar.
“– Por que tanta teimosia?” – reclama a voz. “– Por que continuar sendo o mesmo, sem diferença alguma de qualquer outro que já tenha vivido nesse mundo? Por que insistir em fingir que não está mentindo pra si mesmo?”.
            Um breve silencio se faz, nos permitindo unicamente observar as estranhas condições daquele homem (“—Teria ele alguma coisa haver com as palavras que estavam sendo ditas? – diz alguém sentado próximo.).
“– Não podemos negar, – continuou a voz – você já nasceu entregue as paixões desse tempo. Mas não é também você aquele que se diz ser um dos filhos remidos, escolhidos do Deus Vivo? Aqueles transformados pela renovação das suas mentes? Os que conheceram a verdade e por ela foram libertos? Aqueles que buscaram e encontraram porque fizeram de todo coração? Os que vivem porque crêem?” – disse enfaticamente em um tom que em distancia insinuava ironia.
Levemente vemos que se abre um sorriso no rosto do homem surrado – o qual não se sabe se compartilha do que estamos ouvindo, e por isso, se sorria em conseqüência ao que estava sendo dito. Mas essa dúvida logo se escapa quando vemos sangue escorre dessa brecha em sua boca. Um pulsar crescente toma todo seu corpo; é quando somos surpreendidos por suas gargalhadas. Ele está tomado de uma cadência que nos revelava que tudo aquilo não se tratar de alegria, mas de um choro profundo que de tanto desespero se confundiu até chegar ao rosto.
“– Ah, não adianta nos enganarmos,” – afirma veementemente a voz de alguém que para dar importância fala com firmeza – “não brilhamos luz alguma, e ainda repetimos os mesmos modelos de sempre. Somo parte dessa escuridão que negamos em nossas canções de amor. Somos o sal sem sabor, o ramo cortado da Videira.” – termina forçado pela necessidade de um suspiro profundo. Continuando, então, calmamente: “– Você vive em plenitude de morte, e mesmo que cheio de boa vontade, mesmo que já tenha levantado as mãos e corrido em prantos pra frente de uma igreja, inchado de emoção, você é apena repleto dessa luz que você mesmo fabricou pra chamar de ‘Deus’. Você finge entender a Cruz!”.
Vemos enfim o homem chorar uma dor tão profunda que sua voz parecia vir das partes perdidas de um poço escuro e abandonado. Esse é Eduardo, um homem de pé, ameaçando em suas dores e agonias, à eminência de sua própria queda. O silêncio então escora seu corpo que agora soluça mudo; o ar pesa. Vemos a vida lhe escapando pelos poros. E assim, imersos nessa visão, a voz parece nos concluir com reprovação.
“– Porque aquele que diz que conhece a Jesus e continua o mesmo, fala sério, não o conhece!”[ii]




NOTAS GERAIS

[i] Apresentação (animação em vídeo): Igreja Monte Horebe// Ministério Jovem //Apresenta // ­­“Vertigine_Hominis :: a_vertigem_dos_homens” // Ainda esta noite. Três vezes...
[ii] Trecho construído sobre as referências bíblicas de Romanos 12:2 e I João 3.

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